terça-feira, 24 de agosto de 2010

JOSÉ ANTONIO DA SILVA - NILDO DA PEDRA BRANCA


JOSÉ ANTONIO DA SILVA, conhecido popularmente por NILDO DA PEDRA BRANCA, natural de Mossoró-RN, nascido a 24 de março de 1972, filho de Luiz Venâncio da Silva e Luzia Soares da Silva. Casou-se em 3 de novembro de 1989, com MARIA DO SOCORRO SOARES DA SILVA, natural de Tabuleiro do Norte-CE, nascida a 5 de junho de 1970, filha de José Soares Rodrigues e Raimunda Luzia da Silva. Pai de quatro filhos: WIGNA MONALISA SOARES DA SILVA (24/06/1990), JOSÉ WILTON SOARES DA SILVA (11/10/1991), JOSÉ WILLIAMY SOARES DA SILVA (31/7/1993) e WEDNA MARIA SOARES DA SILVA (03/5/1995). Desde criança cultiva o verso. Admirador de eventos religiosos, o poeta também aprendeu a trocar violão. Diante das dificuldades para estudar, somente conseguiu concluir o Ensino Fundamental em 2006, aos 34 anos de idade. Já o seu primeiro cordel foi lançando quando estava com a idade de Cristo. Hoje Nildo da pedra Branca já contabiliza 8 cordéis, dos quais ele destaca “POSSO UM DIA SER DOUTOR, POIS HOJE SOU ESTUDANTES” e “AS COISAS DO MEWU SERTÃO”. O poeta se apresenta em escolas, vende cordéis de mão em mão, faz locuções e toca em igrejas. Morando na comunidade que decidiu homenagear em seu nome artístico, NILDO gosta sempre de frisar que não abre mão de seus ideais e de sua fé em Cristo.
Conheci Nildo da Pedra Branca, no dia 16 de outubro de 2009, quando estava fazendo uma pesquisa referente ao povoado de Pedra Branca para o LINK “VILA/POVOADO/FAZENDA, do blog OESTE NEWS, quando a primeira pessoa ouvida por mim, logo foi dizendo não sei de nada, quem sabe de tudo sobre a Pedra Branca é NILDO, ele mora naquela casa de alpendre, e logo me desloquei até lá e felizmente fui bem recebido por ele, o qual repassou várias informações sobre o histórico daquela comunidade.
Veja na íntegra uma matéria referente a NILDO DA PEDRA BRANCA publicada no jornal Gazeta do oeste, edição de 29 de março de 2009, no caderno EXPRESSÃO. Confira
NILDO DA PEDRA BRANCAFERREIRA DA GAZETAEspecial para o ExpressãoJOFERFILHO@HOTMAIL.COM

Foi por conhecer essa figura talentosa nos eventos em que se apresentava ao lado de Antônio Francisco, em feiras de livros, nos domingos em que visito a casa de campo de propriedade dos meus cunhados Henrique e Marleuza, nas reuniões de sábados no "Sêbado", do nosso amigo em comum Marcos Pereira, que surgiu o interesse de com ele travar uma conversa sobre os seus feitos. É pela primeira vez em nossa série que abordamos um poeta genuinamente cordelista, pois é um gênero que envolve também a música, mesmo executada de forma diferente da convencional. O agricultor assuense Luiz Venâncio da Silva resolveu tentar a sorte em Mossoró, quando conheceu dona Luzia Soares, com a qual contraiu matrimônio, com quem foi morar no Sítio Pajeú, três quilômetros de estrada carroçável, mata adentro, distante da BR-405, rodovia que liga Mossoró a Apodi. O movimento de reforma agrária expulsou seu Luiz Venâncio das terras em que trabalhava, forçando-o a se mudar com a família para as margens da rodovia, pequeno lugarejo na zona rural de Mossoró, hoje denominado Pedra Branca, onde adquiriu dois hectares de terra, construiu uma casinha de taipa e da agricultura familiar foi tirar o sustento dos seus. Ainda estava em alta a cultura de que o homem do campo tinha a obrigação de formar uma família numerosa para contar com braços que ajudassem a tocar a lida diária. E foi esse pensamento que trouxe 12 filhos para o casal. Francisco de Assis (falecido), Maria Lindalva, Maria de Lurdes, Sebastiana, Expedita, Maria Edna, Antônio Venâncio, Antônia Maria (falecida), João Damásio, José Antônio, Manoel e Luiz Carlos. Um dos primeiros filhos do casal chamava-se José Antônio, que faleceu prematuramente. Muito tempo depois, quando outro filho veio ao mundo, começou a teima, pois dona Luzia queria repetir o nome José Antônio e a filha mais velha era de opinião de batizá-lo por José Nildo. Findou o garoto sendo batizado com o nome de José Antônio da Silva e conhecido por Nildo, que contava com apenas quatro anos de idade quando mudou para Pedra Branca. Era pouca terra para tantos braços, ao ponto de parte dos filhos foram trabalhar de "meieiros" para outros proprietários. Seu Luiz é um apaixonado pela literatura de cordel, admirador de cantadores de viola e poeta em potencial, pois faz glosas e versos.Esse clima levou Nildo a se interessar pelo tema, e logo aos dez anos já declamava versos. Aos 14 ganhou seu primeiro violão. É autodidata. Usa o instrumento para acompanhar suas músicas, apesar de não manusear a viola, costumeira no tanger dos versos de cordelistas e cantadores. Tocava e cantava músicas brega e religiosa da Igreja Católica. Passou a comprar todos os títulos da "Coleção Luzeiro", de São Paulo, especialista em cordel. Mas tinha um problema. Nildo nunca estudara. Aprendera a ler, mas não sabia escrever. Fazia versos, poesias, músicas, mas não tinha como transferi-los para o papel. Já com 30 anos de idade, resolveu se matricular no Centro Educacional de Jovens e Adultos (CEJA). Enfrentar uma estrada perigosa, à noite, montando uma velha moto, no final da labuta, somente muita vontade de aprender. Quando encontrava dificuldade com determinado problema, rabiscava versos como resposta. Um dia resolveu desistir dos estudos. Foi interpelado pelos seus mestres: "Você não vai abandonar a escola. Pode não ser um aluno exemplar, mas é um bom poeta". Jussara Maia guardara o seu trabalho fracionado, mostrando a Marisa Pinto, que levou até a gerência, nascendo daí o primeiro cordel de Nildo a ser publicado com o título "Posso um dia ser doutor, pois hoje sou estudante". Sempre foi um admirador do poeta Luiz Campos, considerando-o um dos seus mestres. Levou a ele o trabalho para uma análise. "Luiz, acho que vou assinar com Nildo Silva, pois José Antônio da Silva é muito extenso". Do alto da sua sabedoria, Luiz sentenciou: "O nome com o do lugar de origem é o que pega. Não vê Patativa do Assaré, Oliveira de Panelas e outros? Use Nildo da Pedra Branca". E Nildo da Pedra Branca não parou mais.Extremamente católico, Nildo faz músicas por encomenda, a exemplo de duas que compôs para a Comunidade Shalom, intituladas "Homenagem aos Shalom's" e "Por Mim Mesmo", que um trio de mulheres gravaram. Também escreve para comerciais de empresas e para homenagens póstumas, que são publicados pelos seus interessados. Participou do Prêmio Fomento, promovido pela Prefeitura Municipal de Mossoró; duas vezes do Prêmio Literatura de Cordel Cosern, promoção da empresa fornecedora de energia elétrica, sendo classificado em todos. Todos os três dias do Festival do Folclore, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Do concurso "80 Anos de Resistência de Mossoró ao Bando de Lampião", da PMM, com "Os Bravos Mossoroenses Resistiram a Lampião", quando fala sobre todos os entrincheirados que combateram os cangaceiros. Teve participação nos órgãos de comunicação, como as rádios Rural, Difusora, Libertadora, RPC, FMs Resistência 93, Universitária 103 e outros prefixos de comunitárias. Quatro vezes no programa "Pedagogia da Gestão", capitaneado pelos competentes Clauder Arcanjo, João Maria e Dinoá, na TV Cabo Mossoró (TCM); na TV Mossoró nos programas de Pé-Quente, Gilson Cardoso, Carlos Cavalcante e uma gravação em outro programa; foi gravado na Feira do Livro do Sesc para a TV Ponta Negra; gravação para as rádios Centenário de Caraúbas e Princesa do Vale de Assu. É líder de acampamento para a reforma agrária. Seu acervo poético consta do seguinte: "Posso Um dia ser doutor, pois hoje sou estudante", "As coisas do meu sertão", "O duelo de um bebo e um crente mal-educado", "Êita que paixão da peste", "A natureza está certa", "Us dois matuto chifrudo", "Todo Natal é assim", "Tem muito dinheiro gasto na cova de Jararaca", "A Lei Maria da Penha e a luta das mulheres no País de Mossoró", "O maior homem do mundo morreu de braços abertos", "A lenda de Lampião", "O livro na minha vida", "Aprenda a ler um bom livro e também a literatura", "Os bravos mossoroenses resistiram a Lampião" e "Lampião e o seu bando". Está prestes a sair "O cordel com poesia". Quando participava, numa ONG, de um debate sobre o cangaço, encorajou-o a escrever "A lenda de Lampião", fazendo uma comparação com os "cangaceiros" de hoje, numa crítica que, em certo trecho, diz: "Os cangaceiros de hojeNão se escondem na mataNão usam chapéu de couroSó usam terno e gravataSua caneta é de ouroE seu relógio é de prata".E segue:"Eles massacram esse povoSem fuzil, sem carabinaVão matando devagarCom a caneta assassinaTem um sempre um salário altoQue o grupo mesmo assina".
Três dos seus escritos foram publicados pela Editora Queima Bucha, um pela Coleção Mossoroense e os demais pela gráfica Papel & Cia. Ilustrações da capa é de autoria do xilógrafo, poeta violeiro, fotógrafo e outras coisas mais Severino Inácio. Nildo da Pedra Branca é casado com dona Maria do Socorro, com quem tem os filhos Wygna, de 19 anos, que é fascinada por cordel e escreve trabalhos ainda não publicados; Wilton, de 17; William, de 16, que dá seus primeiros passos no aprendizado de violão e percussão; e Wênia, de 14 anos. Esse é Nildo da Pedra Branca, com quem espero continuar encontrando para cantarmos juntos algumas loas.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CHICO ANTÔNIO

Chico Antônio

Francisco Antônio Moreira. Embolador. Coqueiro. Cantador. Nasceu em Cortes, nas cercanias de Pedro Velho, cidade que fica a sudeste do Rio Grande do Norte, na fronteira com a Paraíba no começo do século. Há controvérsias quanto a sua real idade. Na certidão de casamento, consta o ano de 1904 e numa carteira de trabalho, tirada no Rio de Janeiro, consta o ano de 1908. Assim como os pais, sempre trabalhou na roça. Embora tenha freqüentado seis anos de escola, acabou não se alfabetizando. Começou a cantar com cerca de 12 anos.

Foi descoberto em 1929, pelo pesquisador e escritor Mário de Andrade que o transportou para os livros. Em 1979, foi redescoberto pelo poeta e folclorista Deífilo Gurgel. Gravou um disco em 1982 pela Funarte/UFRN/FJA. Cantava os seus cocos acompanhando de um ganzá e de seu companheiro de dupla Paulírio. O seu mais famoso trabalho foi o coco "Boi Tungão".

Chico Antonio é personagem lendário. Foi para Mário de Andrade, em suas pesquisas musicais, o que o vaqueiro Manuelzão representou para Guimarães Rosa na elaboração de Grande Sertão: Veredas. Ouvindo este cantador de coco, anônima figura do interior nordestino, o esteta Mário escreveu: "Estou divinizado por uma das comoções mais formidáveis da minha vida".

Redescoberto por Deílfilo Gurgel e Aloísio Magalhães, em 1979, o velho Chico, então com 80 anos de idade, gravou o que pôde. A voz cansada é ainda expressiva, embora já não arrebate com os improvisos que deslumbraram Mário no final dos anos 20. De qualquer modo, tem-se no disco um grande momento da história cultural do Brasil. Chico Antônio faleceu em 15 de outubro de 1993.

Ainda jovem e contrariando a vontade do pai, que não o achava bom cantor, foi prosseguindo na lida de embolador. Passa a vencer desafios com famosos cantadores de coco de sua região como Zé Fulô, Mané Matias, Cícero Matias, Antônio Matias, o preto João Perigoso, Domingos Gregório e outros. Seu trabalho passa a ser então uma referência para outros cantadores.

Em janeiro de 1929 estava trabalhando no Engenho Bom Jardim, quando foi levado a cantar para o poeta e escritor modernista Mário de Andrade, que estava de visita naquele lugar. O encontro entre os dois foi registrado por Mário de Andrade no livro "O turista aprendiz".

Anos mais tarde, Chico Antônio foi tentar a vida no Rio de Janeiro, onde trabalhou em Bonsucesso, Botafogo e Jacarepaguá. Em seguida, retornou, para sua cidade natal, voltando a trabalhar na roça e a cantar cocos nos finais de semana. Embora sua arte continuasse a ser apreciada em sua região, caiu no esquecimento do resto do país.

Em 1979, o estudioso do folclore brasileiro Deífilo Gurgel, em viagem pelo interior do Estado, em pesquisa para a Fundação José Augusto, tomou conhecimento da existência de um cantador de cocos que parecia ser o lendário Chico Antônio, registrado por Mário de Andrade. Foi então até Porto Velho e confirmou a informação. Levou então o cantador para Natal, onde este se apresentou em congressos e festivais, além de conceder entrevistas para diversos jornalistas e estudiosos.

Em 1982, um convênio entre o Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro e a Funarte, possibilitou a gravação do único registro fonográfico do mestre coqueiro. A gravação ocorreu nos dias 26 e 28 de agosto daquele mesmo ano, na casa de Chico Antônio e na do seu filho. Foram registradas nove composições, todas de autoria de Chico Antônio e Paulírio, entre as quais "Boi tungão", "Onde vais, Helena", "Curió da beira-mar" e "Vou no mar".

Em 1983 apresentou-se no programa "Som Brasil", da TV Globo, apresentado por Rolando Boldrin. Um dos mais ilustres representantes do coco foi o único que recebeu um estudo pormenorizado de sua obra, chegando a ser personagem de dois textos ficcionais de Mário de Andrade.

Em 1995 teve o coco "Usina (tango no mango)", parceria com Paulírio, gravado pelo grupo pernambucano Mestre Ambrósio.

Em 1997 foi homenageado pelo cantor e compositor pernambucano Antônio Nóbrega no show "Na pancada do ganzá".

Em 1999, o Acervo Funarte lançou o CD "No balanço do ganzá", com interpretações de Chico Antônio feitas 54 anos depois de seu encontro com Mário de Andrade.

No mesmo ano, teve a música "Eu vou, você não vai", foi gravado no CD "Nação Potiguar", lançado em homenagem aos 400 anos da cidade de Natal.

Também foi homenageado pela banda FOLCORE no ano de seu centenário de nascimento, que gravou um single com 5 músicas do embolador (Luquinha da lagoa, Boi Tungão, Usina, Tinguelê e Helena).

Obra
Boi tungão (c/ Paulírio)
Curió da beira-mar (c/ Paulírio)
É Luquinha da lagoa (c/ Paulírio)
É tinguê-lê
Eu vou, você não vai
Onde vais, Helena (c/ Paulírio)
Pinto pelado (c/ Paulírio)
Serrador, bota o pau na serra (c/ Paulírio)
Usina (c/ Paulírio)
Vou no mar (c/ Paulírio)

Fonte: site da banda Folcore - www.folcore.com

MUSEU DA CULTURA

A Prefeitura de Natal, através da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), afirma, mais uma vez, seu compromisso com a preservação da cultura e da arte potiguares. Foi inaugurado às 8h, do dia 22 de agosto de 2008, o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, no espaço onde se localizava a antiga rodoviária de Natal, no bairro da Ribeira. Durante o evento, será lançado o livro “O Reinado de Baltazar”, do folclorista Deífilo Gurgel, com o selo do Museu. Serão expostas obras de artistas e artesãos das mais diversas regiões do Rio Grande do Norte.

Com uma grande galeria de aproximadamente 350 metros quadrados, o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão subdivide-se em núcleos expográficos. Uma gama variada de peças artísticas, desde mamulengos a esculturas em granito, estará exposta permanentemente no espaço. Haverá ainda um ambiente reservado para exposições temporárias, de modo que outros artistas também terão oportunidade de divulgar seus trabalhos. O Museu, além de preservar e difundir a cultura e a arte do nosso estado, inova ao unir as formas virtual e tradicional de se expor: um enorme acervo contento 200 horas de conteúdo virtual aliado ao acervo materializado, cujo conteúdo é de cerca de 1.500 peças.

Um dos entusiastas do projeto foi o presidente da Funcarte, Dácio Galvão. “Não vejo no RN nenhum outro equipamento que reverbere tantas falas estético-culturais das manifestações, saberes e fazeres do povo potiguar”, orgulha-se Dácio Galvão. De acordo com ele, o Museu não será somente de acervo, estático. “É uma forma de transmissão e multiplicação da diversidade cultural identitária do estado”, explica. O Museu de Cultura Popular contraria a máxima que diz que quantidade e qualidade não andam juntas, pois além de possuir ambas as qualidades, ainda se destaca pela diversidade de seu conteúdo.


Dos artistas que terão suas obras expostas no Museu, teremos os seridoenses Luzia Dantas (artesã e santeira), Ivan do Maxixe, Júlio Cassiano (esculpia madeira e pintava com esmalte sintético); de Acari, teremos Chico Santeiro, Dimas Ferreira (escultor de granito), Gregório, Galego e Jordão. Na pintura ingênua, serão expostos trabalhos de artistas como Ivanize do Vale, Nivaldo Rocha, Iaperi Araújo, Iaponi e Maria do Santíssimo. No núcleo de autos e danças, muito boi de reis, fandango, pastoril e zambê. Mamulengo de Chico Daniel, teatro de João Redondo, religiosidade, ceramistas, rendeiras, cantadores de coco, poetas populares, enfim, um acervo enorme das mais diversas vertentes culturais e artísticas do RN estará presente no Museu.

Além de todos os núcleos expográficos, o espaço tem dois projetos em andamento: edição de livros (um exemplo é o livro de Deífilo Gurgel que será lançado na inauguração) e o lançamento de cds, um do poeta popular Xexéu e outro com músicas da linha da Jurema (religião descendente das culturas afro e indígena). O Museu de Cultura Popular é um projeto pioneiro e inigualável a qualquer outro que já tenha sido feito no estado, talvez no Nordeste. Ganha a cultura potiguar, ganha o povo norte-rio-grandense.

O grupo potiguar Coco Maracajá lança hoje, a partir das 19h30, no Teatro de Cultura Popular (anexo à Fundação José Augusto), a coletânea “Meu Machad

O grupo potiguar Coco Maracajá lançou às19h30, do dia 18 de setembro de 2007, no Teatro de Cultura Popular (anexo à Fundação José Augusto), a coletânea “Meu Machado Cortador/Coco Maracajá e convidados”. O grupo, fincado nas raízes do coco, tem o patrocínio do programa BNB de Cultura edição 2007. A coletânea faz parte do projeto “Cantando e Contado Histórias do Coco”. A entrada será vendida na bilheteria do TCP aos preço de R$ 5.

Com apoio da Fundação Hélio Galvão, Off Set e Estrela Produções, “Cantando e Contando histórias do Coco” foi o único projeto na categoria aprovado no Estado pelo programa de apoio à cultura do Banco do Nordeste. Com a proposta de fazer um mapeamento sonoro do Coco nas variações Samba de Coco, Coco de Roda, Coco de Ganzá, Bambelê e Coco de Zambê, presentes no Rio Grande do Norte e Pernambuco, a iniciativa pretende valorizar e divulgar ritmos e loas próprias do cancioneiro popular, através do registro de grupos e mestres, em seus conhecimentos ancestrais e de desenvolver uma didática de firmar a cultura popular.

O cientista social Cyro Almeida é um dos integrantes do grupo Maracajá. Ele lembra que a proposta nasceu de oficinas itinerantes realizadas pelo percussionista Cacau Arcoverde. Da idéia despretensiosa, surgiu a oportunidade de produzir um disco. “Essas oficinas aconteciam na casa do Cacau, da Ilnete, na praia... era despretensioso. Mas a partir daí surgiram convites para apresentações em escolas. Até que ficamos sabendo do edital do BNB cultural e decidimos concorrer na área de gravação do CD. Foi o único projeto nessa área selecionado”, conta.

Segundo ele, o trabalho do grupo é mais de pesquisa do que musical. Mesclando no cancioneiro tradicional elementos eletrônicos, ele admite que o produto final é uma releitura dos cocos genuínos. “A idéia era gravar o CD, inicialmente, o coco maracajá. Mas estudamos e descobrimos outros grupos, como o coco de roda de Canguaretama, os mestres da Vila de Ponta Negra e decidimos abrir o CD numa espécie de coletânea. Até porque muitos desses grupos nunca tinham sido registrados, como os das irmãs Lopes e o próprio coco de Canguaretama. No fundo, fica a nossa visão com a visão deles. Usamos elementos eletrônicos para dar uma misturada. Afinal de contas, não somos um grupo tradicional. Somos da cidade”, lembra.

Além do grupo potiguar Coco Maracajá, a coletânea conta com a participação do Coco de Roda de Canguaretama, dos Mestres Pedro e Severino – integrantes do Boi-de-Reis e Bambelô da Vila de Ponta Negra, Coco de Zambê de Cabeceiras, em Tibau do Sul, e com a participação, póstuma, de Chico Antônio e Paulírio, da cidade de Pedro Velho. Já de Pernambuco, mais especificamente de Arcoverde, participam os grupos Samba de Coco das Irmãs Lopes e Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

Coco Maracajá é formado por Cacau Arcoverde, Cyro Almeida (Tuya), Ilnete e Isabel (Zabé das Calunga)

Coco de roda – Estilo recorrente na beira-mar do Nordeste brasileiro. O Coco de Roda de dona Maria de Belchior, de Canguaretama (RN), por exemplo, se apresenta com tocadores e cantadores acompanhados de ganzá e bomba.

Coco de ganzá – Na maioria das vezes, é formado por duplas. Ritmado pelo balanço do ganzá. A maior referência é o coqueiro Chico Antônio.

Bambelô – Estilo de coco cantado e acompanhado de instrumento de percussão pau furado, chama e ganzá. É uma dança circular de formação mista onde há destaque para um ou dois dançarinos.

Coco de zambê – Pescadores da comunidade de Cabeceiras, sob o comando do Mestre Geraldo, mantêm viva a chama do fogo que aquece os instrumentos zambê e chama.

- Show de lançamento da coletânea “Meu Machado Cortador/Coco Maracajá e convidados”, hoje, a partir das 19h30, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, anexo à Fundação José Augusto. Ingressos vendidos no local: R$ 5. A coletânea também estará à venda no local pelo preço de R$ 15.

Samba de coco – Encontrado no sertão pernambucano, especialmente, no município de Arcoverde. Sua formação instrumental é composta por surdo, pandeiro, triângulo, ganzá, e tamanco.

Fonte: Tribuna do Norte

SAMBA DE COCO

Samba de Coco é uma modalidade de coco encontrado no sertão pernambucano, especialmente no município de Arcoverde. Sua formação instrumental é composta por surdo, pandeiro, triângulo, ganzá e o tamanco citado por Cyro Almeida.

A cantiga é entoada por um coqueiro e por vozes que respondem ao refrão entre uma estrofe e outra. Em Arcoverde, se encontram duas expressividades de samba de coco: Samba de Coco Irmãs Lopes e o Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

O Coco de Roda é outro estilo de coco. Ele é recorrente na beira mar do nordeste brasileiro e, dependendo do lugar ou do mestre, apresenta particularidades na composição instrumental, na estrutura poética e na maneira de dançar.

O Coco de Roda de dona Maria de Belchior, do município de Canguaretama é um exemplo que se apresenta com tocadores e cantadores acompanhados de ganzá e bomba. Ele se posicionam no centro da roda, que é formada por homens e mulheres com o papel de responder o coro e dançar. A composição poética é feita de versos, podendo ser improvisados ou de memória.

"Acredita-se que o Coco de Zambê é de origem africana. Ele possui uma formação e uma parte musical e instrumental exclusivamente do Rio Grande do Norte, que estão ligados ao engenho e às praias do estado", revela o integrante do Coco Maracajá.

Pescadores da Comunidade de Cabeceiras, litoral sul do Rio Grande do Norte, sob o comando do Mestre Geraldo, mantém vivos o uso dos instrumentos Zambê e Chama. A formação do Zambê é de homens que tocam, cantam e dançam.

Três deles ficam responsáveis pelos instrumentos percussivos: o zambê ou pau furado, a chama e uma lata. O canto é puxado por quem toca o zambê, e os dançarinos respondem ao coro.

Ainda existe o Coco de Ganzá, que na maioria das vezes, a exemplo dos Cantadores de viola e os Emboladores de Coco, é formado por duplas. Ele é ritmado pelo balanço do ganzá, em que o coqueiro elabora versos respondidos por outro.

A maior referência do Coco de ganzá no Rio Grande do Norte é o coqueiro potiguar Chico Antônio, nascido em 1904, na cidade de Pedro velho (RN).

Também recorrente no RN, o Bambelô, estilo de coco cantado e acompanhado por Pau furado, Chama e Ganzám, é uma dança circular, de formação mista, onde há destaque para um ou dois dançarinos que se movimentam no centro da roda.

A umbigada é o movimento característico deste estilo. Essa é uma das descrições mais usuais sobre o Bambelô e funciona para a troca dos integrantes do centro da roda.

Um dos grupos de Bambelô em Natal, o Massariquinho da Vila de Ponta Negra, do qual participam os Mestres Pedro e Mestre Severino, mantém a formação tradicional no que refere-se aos instrumentos e cantos. Já a composição da roda é apenas de mulheres.

Foram africanos ou índios?

"O que existem são especulações sobre a origem do coco. Alguns dizem que ele pode ter começado nas músicas de improviso entoadas durante as quebradeiras de coco. Tem também a tese de que ele tenha vindo com os africanos", conta Cyro Almeida.

Segundo ele, o que é conhecido é que a variedade de estilos do coco é muito grande. "O que estamos mostrando na coletânea é apenas uma parte de que tivemos contato", afirma o integrante do Coco Maracajá.

E Cyro Almeida explica que há semelhanças com o coco em hábitos de poços bem distantes do Brasil. Como exemplo, ele cita os esquimós, que empreendiam desafios quando queriam resolver algum problema.

"Dois esquimós começavam a xingar um ao outro em rimas e acompanhados de tambores", descreve. A informação, segundo Cyro, vem do ensaio que trata das variações sasonais dos esquimós, de Marcel Mauss.

Cyro Almeida é graduado em Ciências Sociais e atualmente faz mestrado em Antropologia. Pesquisa populações tradicionais na comunidade quilombola situada em Sibaúma, que fica próximo da praia de Pipa.
FONTE: NOMINUTO

Casa de “Chico Antônio” agora é patrimônio histórico do RN

GOVERNO DO ESTADO - 02/06/2004

A governadora Wilma de Faria assinou decreto tombando e tornando patrimônio histórico do Rio Grande do Norte um imóvel localizado no Sítio Panelas, em Pedro Velho. Trata-se da casa onde morou o cantador de coco Chico Antônio, descoberto em 1929 pelo pesquisador e escritor paulista Mário de Andrade, um dos líderes do Movimento Modernista de 1922, durante visita ao Rio Grande do Norte. Andrade citou o cantador de coco em seis obras suas, inclusive no romance "Café".

O diretor do Centro de Documentação da Fundação José Augusto (FJA), Dácio Galvão, disse que a casa onde residiu Chico Antonio vai ser transformada num memorial em sua homenagem. Para tanto, falta apenas alocar recursos para a construção de uma outra casa para o filho do cantador de coco, que ainda mora no imóvel tombado.

"Chico Antonio" nasceu no povoado de Corte, no município de Pedro Velho (RN), em 20 de setembro de 1904. Em 1979, foi redescoberto pelo poeta e folclorista Deífilo Gurgel. Gravou um disco em 1982 pela Funarte/UFRN/FJA. Cantava os seus cocos acompanhando de um ganzá. O seu mais famoso trabalho foi o coco "Boi Tungão". Ele faleceu em 15 de outubro de 1993.